Os docentes do Instituto
Superior de Enfermagem acreditam que este currículo deve
ser orientado e inserido no contexto da realidade social e de saúde
da região Africana e do país, de maneira a formar
profissionais competentes e compromissados com a superação
dessa realidade.
Consideram como REALIDADE,
o mundo material, dinâmico, existente, independente e fora
da consciência humana, determinado pela sociedade num certo
momento histórico.
Esse mundo material encontra-se
num permanente processo de desenvolvimento, explicado por leis ou
conexões gerais e essenciais entre os sistemas e processos
desse.
Assim sendo, adoptam a natureza
explicativa das leis fundamentais da dialéctica para compreensão
dos fenómenos sociais e de saúde dessa realidade.
Consideram como SOCIEDADE o
conjunto de homens, organizados em grupos e classes sociais, cuja
função produtiva tem por finalidade a satisfação
de suas necessidades de sobrevivência e de aperfeiçoamento
da vida. Como tal, a sociedade caracteriza-se por uma base económica;
apresenta uma superestrutura jurídico – política
e ideológica e desenvolve relações sociais
e de produção, determinadas pelo grau de desenvolvimento
histórico de suas forças produtivas.
Consideram como CLASSE
SOCIAL o conjunto de homens que diferenciam entre si:
a) pelo lugar que ocupam no sistema
de produção social
b) pelas relações
que têm com os meios de produção
c) pelo papel que desempenham
na organização social do trabalho
d) pelo modo e parcela que recebem
da distribuição da riqueza social.
Consideram como HOMEM
a forma mais complexa da matéria. É um ser
social, com atributos bio-psico-sociais individuais. Forma uma unidade
dialéctica com a sociedade, na medida que ele não
é independente da sociedade e a sociedade não existe
fora do homem.
Consideram como NATUREZA
o conjunto do mundo material representando pelo meio natural e pelo
universo, condições essas, naturais da existência
da sociedade.
Consideram como
PROCESSO SAÚDE – DOENÇA a capacidade
de resposta dinâmica, com variações individuais,
de classes sociais (grupos) frente aos potenciais de benefícios
e de riscos de vida gerados pela sociedade em que vivem.
Consideram que cada sociedade,
grupo social ou indivíduo, para responder com capacidade
frente ao processo saúde – doença, apresenta
uma série de necessidades. Essas necessidades podem ser categorizadas
como necessidades de sobrevivência e necessidades de aperfeiçoamento
de vida, e consequentemente, de saúde.
Consideram como NECESSIDADES
DE SOBREVIVÊNCIA aquelas essenciais para manutenção
da vida social, grupal e individual.
Consideram como NECESSIDADES
DE APERFEIÇOAMENTO aquelas que elevam a qualidade
da vida social, grupal e individual.
Sob essa óptica, consideram
que essas necessidades são determinadas por cada sociedade,
num dado momento histórico.
Consideram como
ASSISTÊNCIA A SAÚDE a forma sistematizada de
intervenção no processo saúde – doença
duma sociedade, grupo social ou indivíduo – sujeitos
/ objectos dessa assistência. Essa forma é direccionada
pela política social e de saúde, e desenvolvida por
profissionais de saúde e de outros sectores sociais, em conjunto
com o sujeito / objecto de assistência.
A finalidade dessa assistência
e a de desenvolver e ampliar, tanto no profissional quanto no sujeito
/ objecto, a capacidade de compreensão e de intervenção
na realidade de saúde, e com isso, atender prioritária
e adequadamente as necessidades de sobrevivência e aperfeiçoamento
da vida e da saúde.
Consideram como NÍVEIS
DE ASSISTÊNCIA A SAÚDE a estrutura regionalizada
e hierarquizada de recursos (institucionais e comunitários)
humanos e materiais, em saúde, que irá responder,
sob as directrizes da política social e de saúde,
pelo atendimento das necessidades de saúde da sociedade.
Esses níveis,
de acordo com o sistema nacional de saúde de Angola, estruturam-se
em:
a) Assistência primária
de saúde
b) Assistência secundária
de saúde
c) Assistência terciária
de saúde
Consideram que cada
um desses níveis de assistência devem desenvolver acções
que visem:
a) O atendimento prioritário
do indivíduo, do grupo social ou da sociedade nas suas necessidades
afectadas pelo processo saúde – doença
b) O Fortalecimento da capacidade
de resposta do indivíduo, grupo social ou sociedade, nas
suas necessidades não afectadas.
c) A capacitação
do indivíduo, grupo social ou sociedade para compreensão
e intervenção no seu processo saúde –
doença
Consideram que PARA A COMPREENSÃO
E INTERVENÇÃO NO PROCESSO SAÚDE – DOENÇA
, o profissional de saúde, em conjunto com o sujeito / objecto
de assistência (sociedade, grupo social, indivíduo)
devem:
a) Identificar o potencial
de benefícios e de riscos à saúde que o sujeito
/ objecto da assistência está exposto na sociedade
b) Identificar suas necessidades
de sobrevivência e de aperfeiçoamento de sua saúde
c) Identificar e analisar a
interconexão existente entre potencial de benefícios
e de riscos a saúde a que está exposto, com a capacidade
de resposta (necessidades afectadas)
d) Elaborar um plano de intervenção
no processo saúde – doença, para atendimento
dessas necessidades
e) Desenvolver tal intervenção,
e, nessa intervenção, avaliar e reinterpretar suas
acções.
Consideram que essa identificação
e intervenção na realidade de saúde e no processo
saúde – doença, deve ser desenvolvida em todas
as dimensões da realidade, ou seja, na dimensão estrutural,
na dimensão particular e na dimensão singular.
Considera-se como
DIMENSÃO ESTRUTURAL DA REALIDADE os modos de produção
e de reprodução económica e social duma sociedade,
num dado momento histórico. São eles que em última
instância determinam o potencial de benefícios e de
riscos de vida e de saúde das classes e grupos sociais.
Considera-se como DIMENSÃO
PARTICULAR DA REALIDADE os modos de vida, trabalho e saúde
de classes e grupos sociais, bem como as necessidades e capacidades
específicas de resposta ao processo saúde –
doença de cada classe e / ou grupo social. É nessa
dimensão que se consegue captar / interpretar a interconexão
e subordinação do processo saúde – doença
ao potencial de benefícios e de riscos a que estão
expostos.
Considera-se como DIMENSÃO
SINGULAR DA REALIDADE a forma específica que cada
indivíduo e sua família representam suas necessidades
de sobrevivência e aperfeiçoamento de vida e saúde
e a capacidade específica com que respondem ao processo saúde
– doença. É nessa dimensão que são
explicitadas as variações bio-psico-sociais de cada
indivíduo, que se deve analisar criticamente a unidade dialéctica
entre indivíduo e sociedade.
Consideram como PARTICIPAÇÃO
DA COMUNIDADE o compromisso de acção conjunta
entre a população (indivíduo, grupo social,
lideranças e representantes da comunidade) e o pessoal de
saúde, no sentido de conhecer e analisar criticamente o processo
saúde – doença, e de buscar e implementar formas
efectivas de intervenção nesse processo.
Consideram como COMUNIDADE
a população sujeito / objecto da assistência
à saúde, população essa delimitada operacionalmente
pela própria finalidade das acções de saúde.
Consideram como INFORMAÇÃO,
EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO PARA A
SAÚDE o compartilhamento do saber sobre a realidade de saúde
e processo saúde – doença entre o profissional
e o sujeito / objecto da assistência à saúde,
com vistas a ampliar sua compreensão sobre o processo e de
buscar formas apropriadas de intervenção nesse processo.
Consideram que
ENFERMAGEM é uma prática profissional, socialmente
determinada, que tem e desenvolve continuamente um saber (conhecimentos,
atitudes, habilidades), fundamentado cientificamente, com o qual
vai especificamente intervir no atendimento das necessidades da
sociedade, grupos sociais e indivíduos, afectadas pelo processo
saúde – doença.
Consideram como ASSISTENCIA
DE ENFERMAGEM o desenvolvimento duma relação
de ajuda entre o enfermeiro e o sujeito / objecto da assistência
(sociedade, grupo social, indivíduo), no contexto do processo
saúde – doença.
Essa relação
de ajuda visa o atendimento das necessidades de sobrevivência
e aperfeiçoamento de saúde, através da prestação
de cuidados de enfermagem (Fazer), do compartilhamento do saber
sobre o processo saúde – doença (EDUCAR, MONITORAR)
e da busca conjunta de soluções alternativas complementares
(ENCAMINHAR) para atendimento dessas necessidades de saúde.
Por PRESTAR
CUIDADOS DE ENFERMAGEM entendem a competência do enfermeiro
para atendimento directo de algumas das necessidades de saúde,
do sujeito / objecto da assistência de enfermagem, sempre
que ele não apresente condições de fazê-lo
por si próprio.
Por COMPARTILHAR
O SABER SOBRE O PROCESSO SAÚDE – DOENÇA
entendem a competência do enfermeiro para desenvolvimento
dum processo educativo contínuo e dum acompanhamento sistemático
junto com o sujeito / objecto da assistência de enfermagem,
com a finalidade de ampliar a capacidade conjunta de compreensão
e intervenção na realidade de saúde.
Pela BUSCA
CONJUNTA DE SOLUÇÕES ALTERNATIVAS COMPLEMENTARES
entendem a competência do enfermeiro para em conjunto com
a equipa de saúde e o sujeito / objecto da assistência,
identificarem o grau de complexidade requerido pelas necessidades
afectadas do sujeito / objecto da assistência de enfermagem,
e fazerem o encaminhamento profissional e institucional requeridos.
Consideram como funções
do enfermeiro, a nível superior de ensino e enquanto profissional
de saúde:
a) Função independente:
Função específica
que o caracteriza como profissional. É o seu “FAZER
PROFISSIONAL”. É o conjunto de acções
próprias da profissão que requerem conhecimentos,
atitudes e habilidades específicas, garantidas durante a
formação profissional. São prerrogativas dessa
função:
- Prestar cuidados de enfermagem
- Gerir a assistência de enfermagem
prestada pela equipa de enfermagem
- Produzir e desenvolver o saber em enfermagem
(investigação científica em enfermagem)
b) Função interdependente:
Função compartilhada
com outros profissionais de saúde. É exercida por
todos os profissionais de saúde, com o objectivo comum de
contribuir para a melhoria das condições de saúde
da sociedade. Explicita-se pelo trabalho em equipa, onde a finalidade
da acção não é o exercício da
profissão, mas o compromisso com a sociedade.
c) Função dependente
Função que requer,
previamente, a acção social ou directrizes de outro
profissional para o enfermeiro poder contribuir efectivamente na
assistência à saúde.
Consideram como METODOLOGIA
DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM a acção
contínua, programada e processual conjunta do enfermeiro
com o sujeito / objecto da assistência de enfermagem, no sentido
de intervirem especificamente no processo saúde – doença
para:
a)
Identificarem o potencial de benefícios e de riscos a saúde
que o sujeito / objecto da assistência está exposto
na sociedade.
b)
Identificarem suas necessidades de sobrevivência e de aperfeiçoamento
de sua saúde
c)
Identificarem e analisarem a interconexão existente entre
potencial de benefícios e de riscos à saúde
a que está exposto, com a capacidade de resposta (necessidades
afectadas)
d)
Elaborarem um plano de intervenção no processo saúde
– doença, para atendimento dessas necessidades
e)
Desenvolverem tal intervenção, e, nessa intervenção,
avaliar e reinterpretar suas acções.
Tal metodologia processual,
segue as mesmas etapas da metodologia de investigação
científica, pois reflecte a forma sistemática de conhecimento
e de acção sobre a realidade. De igual modo, segue
as mesmas etapas da metodologia de assistência à saúde
pois é parte integrante e inseparável do processo
assistencial em saúde.
Destaca-se que o processo de
conhecimento da realidade de saúde envolve, didacticamente,
a composição, decomposição e recomposição
do seu todo e de suas partes e o enfermeiro, assim como outros profissionais
de saúde, deve apropriar-se da forma de aquisição
desse processo, bem como de compartilhar com o sujeito / objecto
da assistência tal forma. Só assim poderá ampliar-se,
gradualmente, o grau de consciência da realidade e, de forma
crítica, buscar formas alternativas de intervenção
nessa realidade.
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