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V. MARCO METODOLÓGICO

Consideram que EDUCAÇÃO é um processo social e historicamente determinado, cumulativo, dialéctico, de desenvolvimento do homem e da sociedade.

Consideram como FORMAÇÃO o processo educativo formal, desenvolvido institucionalmente, fundamentado e dirigido para o trabalho. Promove a habilitação e / ou aperfeiçoamento profissional, e tem objectivos e metas específicas.

Consideram como PROCESSO ENSINO – APRENDIZAGEM a acção educativa sistematizada e dinâmica de aquisição e / ou aperfeiçoamento do saber (Conhecimentos, atitudes e habilidades) e do próprio processo de conhecimento. Essa acção desenvolvida conjuntamente pelo Educador e Educando, processa-se através do compartilhamento do saber de ambos, e tem por finalidade atingir os objectivos da Educação e da formação.

Consideram que para este currículo, OS OBJECTIVOS DA EDUCAÇÃO E DA FORMAÇÃO EM ENFERMAGEM são os de desenvolver nos estudantes suas potencialidades sociais, grupais e individuais, para futuramente exercerem com competência e compromisso sua profissão perante a sociedade.

Consideram que a FORMA SISTEMATIZADA, E DINÂMICA DE AQUISIÇÃO E / OU APERFEIÇOAMENTO DO SABER dá-se através da captação e compreensão da realidade, da intervenção e da busca de soluções alternativas para superar tal realidade, e nessa intervenção, ir reinterpretando a realidade e buscando novas formas de acção.

Consideram que A APRENDIZAGEM OCORRE NUM PRIMEIRO MOMENTO , pela captação e interpretação da realidade, quando se consegue perceber as contradições entre a realidade e o saber sobre ele. É a fase da dúvida, da incerteza, da insegurança.

Consideram que A APRENDIZAGEM OCORRE NUM SEGUNDO MOMENTO ,quando, além de aperceber-se das contradições, já são desenvolvidas formas de acção e de reflexão críticas, que inicialmente se caracterizam por mudanças quantitativas no saber, sem contudo ter modificado substancialmente tal saber. É a fase da tentativa, da repetição ou da reiteração reflexiva, da procura de soluções.

Consideram que A APRENDIZAGEM OCORRE NUM TERCEIRO MOMENTO , quando se dá uma mudança qualitativa no saber original, negando-se então os aspectos do saber anterior que não se aplicam à realidade, reincorporando ao seu novo saber o que de útil subsiste de seu saber anterior e criando um novo saber, adequado à realidade que está a vivenciar no momento.

Consideram que PARA QUE OCORRA A APRENDIZAGEM , o ensino deve estar voltado para a realidade. Deve-se proporcionar ao estudante oportunidades dele agir e pensar reflexivamente nessa realidade, com o objectivo de transformá-la. Para isso, o ensino deve priorizar a participação activa do estudante na sua aprendizagem.

Consideram que para ocorrer a aprendizagem da forma descrita, há necessidade da utilização de MÉTODOS DE ENSINO APROPRIADOS.

São MÉTODOS DE ENSINO APROPRIADOS os métodos activos, que estimulem a acção e reflexão críticas do estudante, fazendo com que o próprio estudante seja o sujeito de sua aprendizagem e adquira autonomia na forma de “aprender a aprender”. Os métodos são vários e cada professor irá adoptá-los na medida em que ajustem-se: discussão em grupo; pesquisas bibliográficas; pesquisas laboratoriais; pesquisas de campo; seminários; estudos dirigidos; estudo livre; dramatização; demonstração; exposição seguida de debates, entre outros.

Consideram que A PARTICIPAÇÃO ACTIVA DO ESTUDANTE NA SUA APRENDIZAGEM dá-se de diferentes formas. Qualquer porém que seja o método de ensino seleccionado, ele deve requerer do estudante a recuperação do seu saber anterior, com a adição do novo saber, e principalmente o método de ensino deve possibilitar uma acção reflexiva que leve o estudante a pôr em prática o seu novo saber, ou seja, o saber anterior já superado pela acção / reflexão actual, capacitando-o a intervir na realidade, transformando-a.

A prática assistencial de enfermagem, a ser desenvolvida pelo estudante durante o decorrer de sua formação é considerada como requisito indispensável para a concretização de sua aprendizagem. É através da prática da assistência de enfermagem que se dará a síntese do agir e pensar reflexivamente.

Neste currículo, A PRÁTICA ASSISTENCIAL DE ENFERMAGEM configurar-se-á através e principalmente dos estágios curriculares inseridos em cada disciplina de enfermagem, quando então os estudantes, acompanhados e supervisados continuamente por docentes de enfermagem, terão a oportunidade de aplicar os conhecimentos adquiridos na disciplina e desenvolver atitudes e habilidades na assistência de enfermagem directa, prestada aos indivíduos e grupos prioritários, a saber: mulheres, crianças e trabalhadores.

Esses estágios, que fazem parte integrante do programa curricular de cada disciplina de enfermagem, serão desenvolvidos numa área de integração docente - assistencial.

Compreende-se como ÁREA DE INTEGRAÇÃO DOCENTE-ASSISTENCIAL, a área sócio - geográfica dum Município seleccionado para desenvolvimento da prática assistencial de enfermagem, que se caracterize por apresentar-se como agrupamento dinâmico duma população residente, e tenha ainda as seguintes características:

a) Delimitação geográfica

b) Direcção sócio - política

c) Base sócio – económica inerente

d) Recursos e agências sociais

e) Recursos e agências de saúde

Será com a percepção e vivência real num Município, e com a prestação da assistência de enfermagem a essa população, nas suas agências de saúde – hospital e unidades sanitárias, nas suas agências sociais – locais de trabalho, escolas, creches, ou no seio da colectividade, que o estudante poderá, em conjunto com o pessoal de saúde e os utentes, compreender a realidade social e de saúde e buscar soluções para resolução ou aperfeiçoamento da situação de saúde.

Dessa forma, ao fazerem um simples atendimento dum utente num centro de saúde, hospital ou creche, os estudantes terão a oportunidade de identificar a inserção desse utente no seu grupo familiar, social e mesmo comunitário. Com isso, ampliar-se-ão as chances de sua acção profissional ser realmente efectiva e comprometida socialmente.

Para que essa prática assistencial numa área pré - determinada seja efectiva, os docentes de enfermagem do ISE devem buscar, em conjunto com as autoridades, lideranças sociais e de saúde, e a população dessa área, desenvolver um processo de integração docente - assistencial.

Considera-se como PROCESSO DE INTEGRAÇÃO DOCENTE – ASSISTENCIAL o esforço conjunto dos elementos supracitados, visando à progressiva adequação e melhoria do ensino de enfermagem ministrado pelo ISE e a progressiva adequação e melhoria da assistência de enfermagem prestada pelos serviços de saúde desse Município seleccionado. O envolvimento das autoridades e das lideranças sociais e de saúde, reflectem a necessidade de se pôr em prática a intersectorialidade imprescindível à resolução / aperfeiçoamento da situação de saúde.

Ainda sobre a aprendizagem dos estudantes, os docentes do ISE consideram que toda a pessoa – e todo o estudante, desde que se lhe proporcionem meios e o tempo necessários, será capaz de ir adquirindo e superando seu saber. Porém, em instituições formais de ensino, o gradiente de meios e de tempo a serem proporcionados, são limitados a uma certa realidade de ensino e a um determinado tempo preestabelecido.

O estudante que não responder satisfatoriamente dentro do limite do tempo estabelecido pela Instituição (apesar do acompanhamento e supervisão contínua do professor), deverá ser reencaminhado à área ou disciplina em que apresente deficiências, para reestudá-la, tendo com isso oportunidade de aprender no seu próprio ritmo.

Consideram que A AVALIAÇÃO tem dois grandes objectivos:

O primeiro grande objectivo é o de mensurar o grau de evolução da aprendizagem do estudante, para ajudá-lo a perceber e superar suas contradições. Desse modo, a avaliação deverá qualificar e quantificar o grau de competência adquirida pelo estudante, em comparação com o perfil do profissional a ser formado. Essa avaliação deve ser sistemática, contínua ou periódica, requerendo do professor um acompanhamento próximo do estudante.

Um segundo grande objectivo da avaliação é a mensuração final do grau de saber adquirido (competência profissional) pelo estudante para validá-lo legal e oficialmente frente ao saber esperado pela Instituição e pela sociedade – perfil ocupacional.

Esse modo de avaliação deverá ser aplicado ao final de um período de ensino (área de ensino ou disciplina) que deverá ter proporcionado anteriormente um tempo de desenvolvimento ao estudante, flexível para que ele possa desenvolver sua aprendizagem segundo seu próprio ritmo. Requer previamente mensurações parciais do grau de evolução do estudante, que irá fornecer a ele informação e as experiências necessárias para superar suas deficiências.

Consideram que OS MÉTODOS DE AVALIAÇÃO devem estar fundamentados no referencial determinado pelo perfil que corresponde à competência profissional esperada do estudante. Assim, de nada adianta o estudante apresentar suficiência apenas do saber teórico, se não existir a suficiência correspondente do saber prático.

Dessa forma, a avaliação do saber teórico é somente uma parte da avaliação global do estudante. A avaliação de campo, através da supervisão contínua é a que garante o maior grau de validação, uma vez que verifica “in loco” como ele utiliza o seu saber. A avaliação escrita, por meio de resolução de situações – problemas, também é uma forma efectiva de mensuração, desde que requeira do estudante um aproveitamento na questão da causalidade essencial do problema, é uma visão também abrangente na proposta de soluções alternativas para resolução dos mesmos.

A avaliação do grupo de estudantes como um todo, ou de seus subgrupos de trabalho ou de estágio, deverá ser incentivada para que se evitem os individualismos e as competições, nocivos ao trabalho em equipa, estimulando no estudante a compreensão da evolução do conjunto e a responsabilidade e compromisso de cada um para com o desenvolvimento do grupo.

 
 
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