| Consideram que EDUCAÇÃO
é um processo social e historicamente determinado, cumulativo,
dialéctico, de desenvolvimento do homem e da sociedade.
Consideram como FORMAÇÃO
o processo educativo formal, desenvolvido institucionalmente, fundamentado
e dirigido para o trabalho. Promove a habilitação
e / ou aperfeiçoamento profissional, e tem objectivos e metas
específicas.
Consideram como PROCESSO
ENSINO – APRENDIZAGEM a acção educativa
sistematizada e dinâmica de aquisição e / ou
aperfeiçoamento do saber (Conhecimentos, atitudes e habilidades)
e do próprio processo de conhecimento. Essa acção
desenvolvida conjuntamente pelo Educador e Educando, processa-se
através do compartilhamento do saber de ambos, e tem por
finalidade atingir os objectivos da Educação e da
formação.
Consideram que para este currículo,
OS OBJECTIVOS DA EDUCAÇÃO E DA
FORMAÇÃO EM ENFERMAGEM são os de desenvolver
nos estudantes suas potencialidades sociais, grupais e individuais,
para futuramente exercerem com competência e compromisso sua
profissão perante a sociedade.
Consideram que a FORMA
SISTEMATIZADA, E DINÂMICA DE AQUISIÇÃO E / OU
APERFEIÇOAMENTO DO SABER dá-se através
da captação e compreensão da realidade, da
intervenção e da busca de soluções alternativas
para superar tal realidade, e nessa intervenção, ir
reinterpretando a realidade e buscando novas formas de acção.
Consideram que A
APRENDIZAGEM OCORRE NUM PRIMEIRO MOMENTO , pela captação
e interpretação da realidade, quando se consegue perceber
as contradições entre a realidade e o saber sobre
ele. É a fase da dúvida, da incerteza, da insegurança.
Consideram que A
APRENDIZAGEM OCORRE NUM SEGUNDO MOMENTO ,quando, além
de aperceber-se das contradições, já são
desenvolvidas formas de acção e de reflexão
críticas, que inicialmente se caracterizam por mudanças
quantitativas no saber, sem contudo ter modificado substancialmente
tal saber. É a fase da tentativa, da repetição
ou da reiteração reflexiva, da procura de soluções.
Consideram que A
APRENDIZAGEM OCORRE NUM TERCEIRO MOMENTO , quando se dá
uma mudança qualitativa no saber original, negando-se então
os aspectos do saber anterior que não se aplicam à
realidade, reincorporando ao seu novo saber o que de útil
subsiste de seu saber anterior e criando um novo saber, adequado
à realidade que está a vivenciar no momento.
Consideram que PARA
QUE OCORRA A APRENDIZAGEM , o ensino deve estar voltado para
a realidade. Deve-se proporcionar ao estudante oportunidades dele
agir e pensar reflexivamente nessa realidade, com o objectivo de
transformá-la. Para isso, o ensino deve priorizar a participação
activa do estudante na sua aprendizagem.
Consideram que para
ocorrer a aprendizagem da forma descrita, há necessidade
da utilização de MÉTODOS DE ENSINO APROPRIADOS.
São MÉTODOS
DE ENSINO APROPRIADOS os métodos activos, que estimulem
a acção e reflexão críticas do estudante,
fazendo com que o próprio estudante seja o sujeito de sua
aprendizagem e adquira autonomia na forma de “aprender a aprender”.
Os métodos são vários e cada professor irá
adoptá-los na medida em que ajustem-se: discussão
em grupo; pesquisas bibliográficas; pesquisas laboratoriais;
pesquisas de campo; seminários; estudos dirigidos; estudo
livre; dramatização; demonstração; exposição
seguida de debates, entre outros.
Consideram que A
PARTICIPAÇÃO ACTIVA DO ESTUDANTE NA SUA APRENDIZAGEM
dá-se de diferentes formas. Qualquer porém que seja
o método de ensino seleccionado, ele deve requerer do estudante
a recuperação do seu saber anterior, com a adição
do novo saber, e principalmente o método de ensino deve possibilitar
uma acção reflexiva que leve o estudante a pôr
em prática o seu novo saber, ou seja, o saber anterior já
superado pela acção / reflexão actual, capacitando-o
a intervir na realidade, transformando-a.
A prática assistencial
de enfermagem, a ser desenvolvida pelo estudante durante o decorrer
de sua formação é considerada como requisito
indispensável para a concretização de sua aprendizagem.
É através da prática da assistência de
enfermagem que se dará a síntese do agir e pensar
reflexivamente.
Neste currículo, A
PRÁTICA ASSISTENCIAL DE ENFERMAGEM configurar-se-á
através e principalmente dos estágios curriculares
inseridos em cada disciplina de enfermagem, quando então
os estudantes, acompanhados e supervisados continuamente por docentes
de enfermagem, terão a oportunidade de aplicar os conhecimentos
adquiridos na disciplina e desenvolver atitudes e habilidades na
assistência de enfermagem directa, prestada aos indivíduos
e grupos prioritários, a saber: mulheres, crianças
e trabalhadores.
Esses estágios,
que fazem parte integrante do programa curricular de cada disciplina
de enfermagem, serão desenvolvidos numa área de integração
docente - assistencial.
Compreende-se como ÁREA
DE INTEGRAÇÃO DOCENTE-ASSISTENCIAL, a área
sócio - geográfica dum Município seleccionado
para desenvolvimento da prática assistencial de enfermagem,
que se caracterize por apresentar-se como agrupamento dinâmico
duma população residente, e tenha ainda as seguintes
características:
a) Delimitação geográfica
b) Direcção sócio
- política
c) Base sócio – económica
inerente
d) Recursos e agências sociais
e) Recursos e agências de
saúde
Será com a percepção
e vivência real num Município, e com a prestação
da assistência de enfermagem a essa população,
nas suas agências de saúde – hospital e unidades
sanitárias, nas suas agências sociais – locais
de trabalho, escolas, creches, ou no seio da colectividade, que
o estudante poderá, em conjunto com o pessoal de saúde
e os utentes, compreender a realidade social e de saúde e
buscar soluções para resolução ou aperfeiçoamento
da situação de saúde.
Dessa forma, ao fazerem um
simples atendimento dum utente num centro de saúde, hospital
ou creche, os estudantes terão a oportunidade de identificar
a inserção desse utente no seu grupo familiar, social
e mesmo comunitário. Com isso, ampliar-se-ão as chances
de sua acção profissional ser realmente efectiva e
comprometida socialmente.
Para que essa prática
assistencial numa área pré - determinada seja efectiva,
os docentes de enfermagem do ISE devem buscar, em conjunto com as
autoridades, lideranças sociais e de saúde, e a população
dessa área, desenvolver um processo de integração
docente - assistencial.
Considera-se como PROCESSO
DE INTEGRAÇÃO DOCENTE – ASSISTENCIAL
o esforço conjunto dos elementos supracitados, visando à
progressiva adequação e melhoria do ensino de enfermagem
ministrado pelo ISE e a progressiva adequação e melhoria
da assistência de enfermagem prestada pelos serviços
de saúde desse Município seleccionado. O envolvimento
das autoridades e das lideranças sociais e de saúde,
reflectem a necessidade de se pôr em prática a intersectorialidade
imprescindível à resolução / aperfeiçoamento
da situação de saúde.
Ainda sobre a aprendizagem
dos estudantes, os docentes do ISE consideram que toda a pessoa
– e todo o estudante, desde que se lhe proporcionem meios
e o tempo necessários, será capaz de ir adquirindo
e superando seu saber. Porém, em instituições
formais de ensino, o gradiente de meios e de tempo a serem proporcionados,
são limitados a uma certa realidade de ensino e a um determinado
tempo preestabelecido.
O estudante que não
responder satisfatoriamente dentro do limite do tempo estabelecido
pela Instituição (apesar do acompanhamento e supervisão
contínua do professor), deverá ser reencaminhado à
área ou disciplina em que apresente deficiências, para
reestudá-la, tendo com isso oportunidade de aprender no seu
próprio ritmo.
Consideram que A AVALIAÇÃO
tem dois grandes objectivos:
O primeiro grande objectivo
é o de mensurar o grau de evolução da aprendizagem
do estudante, para ajudá-lo a perceber e superar suas contradições.
Desse modo, a avaliação deverá qualificar e
quantificar o grau de competência adquirida pelo estudante,
em comparação com o perfil do profissional a ser formado.
Essa avaliação deve ser sistemática, contínua
ou periódica, requerendo do professor um acompanhamento próximo
do estudante.
Um segundo grande objectivo
da avaliação é a mensuração final
do grau de saber adquirido (competência profissional) pelo
estudante para validá-lo legal e oficialmente frente ao saber
esperado pela Instituição e pela sociedade –
perfil ocupacional.
Esse modo de avaliação
deverá ser aplicado ao final de um período de ensino
(área de ensino ou disciplina) que deverá ter proporcionado
anteriormente um tempo de desenvolvimento ao estudante, flexível
para que ele possa desenvolver sua aprendizagem segundo seu próprio
ritmo. Requer previamente mensurações parciais do
grau de evolução do estudante, que irá fornecer
a ele informação e as experiências necessárias
para superar suas deficiências.
Consideram que OS MÉTODOS
DE AVALIAÇÃO devem estar fundamentados no
referencial determinado pelo perfil que corresponde à competência
profissional esperada do estudante. Assim, de nada adianta o estudante
apresentar suficiência apenas do saber teórico, se
não existir a suficiência correspondente do saber prático.
Dessa forma, a avaliação
do saber teórico é somente uma parte da avaliação
global do estudante. A avaliação de campo, através
da supervisão contínua é a que garante o maior
grau de validação, uma vez que verifica “in
loco” como ele utiliza o seu saber. A avaliação
escrita, por meio de resolução de situações
– problemas, também é uma forma efectiva de
mensuração, desde que requeira do estudante um aproveitamento
na questão da causalidade essencial do problema, é
uma visão também abrangente na proposta de soluções
alternativas para resolução dos mesmos.
A avaliação do
grupo de estudantes como um todo, ou de seus subgrupos de trabalho
ou de estágio, deverá ser incentivada para que se
evitem os individualismos e as competições, nocivos
ao trabalho em equipa, estimulando no estudante a compreensão
da evolução do conjunto e a responsabilidade e compromisso
de cada um para com o desenvolvimento do grupo. |